quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Prevenar® - Introdução da Vacina Pneumocócica Heptavalente no PNV


Mais uma vez se prova que a Saúde é um tema que interessa a todos.
Há dois dias, enquanto conduzia, ouvia atentamente, na TSF, o programa “Mais cedo ou mais tarde” do jornalista João Paulo Menezes. A convidada era a pediatra Dra. Filipa Prata e o tema abordado a Vacina Pneumocócica Heptavalente.
O mote para o programa foi a recente declaração da ministra da Saúde, a pediatra Dra. Ana Jorge, que, quando questionada sobre a inclusão desta vacina no Plano Nacional de Vacinação (PNV), defendeu a sua não inclusão afirmando que não lhe reconhecia eficácia suficiente.
A vacina pneumocócica heptavalente é uma vacina que previne a doença pneumocócica invasiva (nomeadamente a pneumonia e a meningite) e não invasiva (nomeadamente a otite, a sinusite e a bronquite) provocadas por 7 das 91 estirpes do Pneumococo (uma bactéria agressiva e frequente). Muitos pediatras, baseados nas recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) e em estudos publicados, defendem e prescrevem a vacina às crianças, apesar da não comparticipação por parte do Estado português.
Curiosamente um dos estudos, que data a sua publicação de 2007, encontra-se publicado no site da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte). Segundo este estudo, a prescrição da vacina pneumocócica heptavalente (Prevenar®) aumentou entre 2001 e 2004, sendo que até aos 2 anos de idade 33% da população se encontrava vacinada com as 4 doses. A área geográfica do estudo foi o norte do país, sendo o Porto o distrito com maior cobertura (35%), seguido do distrito de Braga. O distrito de Bragança apresentou uma cobertura inferior a 20%. Tendo em conta o preço de casa dose (€71,00 – o que perfaz €284,00 no total) esta realidade poderá expressar mais uma vez as diferenças de distribuição de riqueza entre o litoral e o interior do país. A título de comparação, no mesmo período, a Meningitec® (vacina que previna a infecção pelo Meningococo C – também responsável por casos graves de meningite) apresentou uma cobertura de 74%; contudo, o valor de cada uma das 3 doses era de €35,00 (total €105,00) – à data a vacina contra o Meningococo C ainda não se encontrava incluída no PNV.
Apesar da não-comparticipação por parte do Estado, há que fazer a seguinte ressalva: existem muitos hospitais onde a vacina pneumocócica heptavalente é administrada gratuitamente a crianças consideradas de risco que são seguidas em consultas de Pediatria desses hospitais, contudo, essa é uma iniciativa individual do hospital e da sua administração e não do Estado no geral. Nesses grupos de risco incluem-se as crianças com imunodeficiências adquiridas e congénitas, doenças cardíacas congénitas, fibrose quística e outras doenças pulmonares congénitas, doenças renais (nomeadamente aquelas que despoletam síndroma nefrótico), crianças sem baço ou com baço não-funcionante, diabetes mellitus e outras.
Segundo o Grupo de Estudo da Doença Pneumocócica Invasiva, em 2007, 79,1% das crianças portuguesas encontravam-se vacinadas com Prevenar®, contra 65% em 2004; acredita-se que, actualmente, este número tenha aumentado e que apenas 20% dos casos de meningite invasiva sejam devidos a estirpes pneumocócicas. Estes dados revelam por um lado a eficácia da vacina corroborando as recomendações da OMS e da SPP, por outro lado revelam a preocupação dos pais no seguimento das recomendações dos pediatras – parece que só a ministra da Saúde é que não está de acordo.
Quando em Portugal se gastam 140 milhões de euros em embalagens dispensadas de medicamentos, revelando o mau dimensionamento dessas embalagens, a introdução da vacina pneumocócica heptavalente no PNV apenas custaria 15 milhões de euros. O que é que se lê aqui? Pressão da indústria farmacêutica e/ou falta de vontade política! Falamos de uma questão de Saúde Pública! Não esqueçamos também que, além dos benefícios individuais, a vacina confere imunidade de grupo diminuindo a probabilidade de contágio.
Como nota de fundo, fica o registo que já foi votado uma proposta de inclusão da vacina pneumocócica heptavalente no PNV em Assembleia da República há 2 meses (iniciativa do CDS-PP) que foi chumbada pela maioria PS.
A título de actualização, fica a informação de que em Abril deste ano aparecerá no mercado uma nova vacina que previne a infecção por 10 das 91 estirpes pneumocócicas (Florix®), e no último trimestre deste ano aparecerá uma vacina contra 13 estirpes.

E vivemos nós num país onde se fala de luvas de 250 mil contos (50 milhões de euros)! – apenas 333% do valor do custo de inclusão da vacina no PNV!

3 comentários:

  1. Olá,
    Meu nome é Débora e gostaria de saber se essa vacina (pneumocócica) é eficaz para uma criança de 4 anos que já apresentou infecções repetidas de sinusite???
    Aguardo seu contato. Meu e-mail: glaudemat10@yahoo.com.br
    Desde já agradeço,
    Um abraço,
    Débora.

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  2. Olá meu nome é Keila,gostaria de saber se é eficaz a vacina PREVENAR(Pneumocócica),para uma criança de 5 anos, desde os 10 meses que ele sofre com problemas respiratórios, broncopneumonias, se previne para náo se repetir novamente??!!!Aguardo contato meu email: keilafreitas7@gmail.com.Por Favor me ajudem náo aguento ver meu filho sofrer!!!
    Agradeço desde já
    keila.

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  3. Olá!meu nonew é ana
    Gostaria de saber se a vacina suflorix substitui a previnar.Se ambas dará resultado ao uma criança de 10 anos e que já apresenta renite aguda.posso aplicar a suflorix?em vez da previnar.meu e-mail é anacastro.doceara@gmail.com
    Agradeço!

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